Saturday, 04 de December de 2021

Parques eólicos: o que são, como funcionam e qual sua relevância?

Os parques eólicos são um tipo de usina de energia indispensável para um país que busca energia limpa e eficiente. Saiba mais a respeito!

Parques Eólicos é como são chamadas as grandes áreas onde os aerogeradores são instalados.
Ai redor dessas usinas existe uma verdadeira infinidade de possibilidades pelo simples motivo de que, apesar deles gerarem um ruído constante, que pode fazer com que a vida na vizinhança não seja exatamente recomendada, os parques eólicos ainda podem ser aproveitados para agricultura e outras atividades econômicas.

As desvantagens inerentes já foram exploradas em detalhes do nosso artigo sobre energia eólica. Meu foco dessa vez é mostrar mais sobre o processo de construção de um parque eólico e explorar como eles estão sendo desenvolvidos no Brasil, entre outros detalhes econômicos relativos ao assunto.

Qual a história por trás dos parques eólicos do Brasil?

O nordeste brasileiro é a principal dentre as regiões que se destacam quando o assunto é energia eólica. Isso ocorre especialmente porque as áreas tinham dificuldade e deficiência energética, o que incentivou a busca por alternativas não tradicionais.

Se deve ao fato também de que diversos vilarejos desenvolveram projetos com aerogeradores não ligados à rede elétrica, passando a ter abastecimento de eletricidade por este meio.

A ilha de Fernando de Noronha recebeu um dos primeiros aerogeradores do Brasil, ainda dos anos 90, em fase de teste. 

Com isso, os parques eólicos vêm se tornando projetos cada vez mais interessantes para essas regiões desabastecidas de eletricidade, além de abrir mercados interessantes para parques eólicos de maior porte.

Como comentei no artigo específico sobre Energia eólica, os parques eólicos se tornam vantajosos, visto que os ventos da região litorânea desembocam em partes do interior, o que acabou chamando a atenção de diversas empresas nacionais e internacionais.

A ANEEL e outras empresas de cunho privado (enumeradas no artigo sobre energia eólica), demonstram muito interesse em expandir os parques eólicos no Brasil.

Nesse sentido, já existem diversos estudos que mostram que, especialmente na faixa litorânea, existem condições extremamente interessantes para a criação de parques eólicos no Brasil.

A correlação entre parques eólicos e a alta incidência de transporte rodoviário no Brasil

Um detalhe que ainda pode ser amplamente explorado no país é a criação de parques eólicos nas proximidades das rodovias brasileiras.

Especialmente quando falamos das rodovias próximas ao litoral, de acordo com o atlas da energia eólica brasileira, ainda é possível desenvolver muito o potencial elétrico nacional por meio dos parques eólicos em locais de extensão linear, onde o barulho das turbinas não atrapalhe por não haver vizinhança. 

Parque eólico ao lado de estrada
Parque eolico ao lado da estrada é uma excelente forma de reaproveitamento da malha rodoviária. Fonte da foto: Trip advisor

Estamos falando de algo em torno de 272 TW por ano, isso considerando todo o território brasileiro explorável para este fim.

Um detalhe interessante sobre esse assunto é que tudo que vem sendo utilizado atualmente como principal fonte de referência para o potencial dos parques eólicos brasileiros já está um tanto quanto defasado.

 Isso acontece porque os cálculos estão sendo feitos com base nos modelos mais antigos de aerogeradores, que tinham torres na altura máxima de 50 m.

Atualmente, são construídos aerogeradores com pás erguidas a mais de 80 m do chão, o que gera recepção de ventos mais fortes, de maior qualidade e, por consequência, uma quantidade de energia superior sendo produzida.

Um grande porém precisa ser mencionado: todo esse potencial ainda é desperdiçado porque nem todos os estudos de impacto a respeito da construção de parques eólicos foram feitos.

Esses estudos não são exatamente baratos e o país ainda não se desenvolveu cientificamente nesse campo, então só são feitos estudos para projetos que serão realmente mandados para aprovação.

Isso precisa ser dito porque, como já comentei em artigo específico sobre energia eólica, os aerogeradores geram um impacto ecológico negativo em relação às aves e suas rotas migratórias e afetando também a vida silvestre local por causa do ruído, além da vida marinha, quando construídos offshore.

Ou seja, se um parque eólico for instalado muito próximo de uma área de preservação ambiental, ou com uma crescente vida silvestre, ele pode causar um dano à preservação desses animais, gerando êxodo, desmembramento de cadeia alimentar e até causando a invasão de áreas urbanas.

Parque eólico de Osório
Parque eólio Osório/RS. Fonte Veja

O que se espera é que, com o crescimento do mercado de carbono, o governo crie mais metas para estimular a criação de parques eólicos no Brasil, mas tratando esses projetos com responsabilidade.

Visto que são uma alternativa às termelétricas, que têm sido utilizadas como formas de manter a matriz elétrica do país em casos de urgência, porém gerando emissão de gases na atmosfera.(no caso das termelétricas à gás natural).

Quais são os países que possuem os maiores parques do mundo?

De acordo com o relatório da Global Wind Report, quando falamos em expansão de mercados, a China tem se destacado como a maior construtora recente de parques eólicos. Dados demonstram sua liderança no ano passado, seguida pelos Estados Unidos. O Brasil encontra-se no impressionante terceiro lugar, com cerca de 2% de toda a nova energia eólica mundial sendo produzida aqui.

Importante mostrar que a China representa 56% do crescimento de uso dessa fonte energética, mas ainda assim, de acordo com a empresa de consultoria, os Estados Unidos ainda são o maior produtor de energia renovável no mundo, seguido pela China e pela Índia.

Neste ranking geral o Brasil está em 11.º lugar, mas é o primeiro da América Latina a aparecer no ranking. Essas pesquisas apontam um crescimento considerável no uso de energias renováveis no Brasil, mas também demonstram que ainda existe muito potencial não utilizado.

Vamos começar a explicar um pouco mais sobre esse potencial adiante.

Quais são os tipos de parque eólico?

Não é exatamente de conhecimento geral que os parques eólicos são divididos em dois grandes grupos. Os parques eólicos chamados Onshore e os parques eólicos Offshore. 

Esses termos, originários da língua inglesa, são utilizados para demarcar se o parque será um captador de ventos da costa do país ou de fora dela. 

Shore, em tradução livre, quer dizer Costa. Termos mais conhecidos cotidianamente, on pode se traduzir como a preposição “em” e off, nesse caso, se traduz como “fora”. Portanto, Onshore são os parques localizados na costa e Offshore os parques fora da costa, mas o termo esconde uma característica bastante surpreendente.

Onshore são os tipos de parques em terra firme. São especialmente interessantes por não demandarem tantas linhas de transmissão para disponibilizar a sua energia para as redes elétricas.

Agora os parques eólicos Offshore são aqueles colocados nas águas ainda sob controle do país. As pessoas não sabem, mas as faixas costeiras até 12 milhas náuticas da terra firme do país também fazem parte de seu território, e nesse caso podem ser utilizadas como área de captação de matéria-prima para geração de energia. 

Um exemplo claro dessa utilização de área é quando temos plataformas de petróleo nas faixas costeiras do país.

Parque eólico Offshore
Parque eólico offshore: uma escolha interessante para o Brasil. Fonte para a imagem: Portal energia

Uma das maiores vantagens que os parques eólicos offshore trazem é o fato de que, como eles estão no meio do oceano, dificilmente eles trarão problemas de ruído para população humana, apesar de que existe a possibilidade de que a vibração ou ruído, ou emissão de campos magnéticos atrapalhem a vida marinha, o que faz com que uma análise de impacto ambiental se faça necessária.

Tirando essas questões, quase não existem desvantagens para este tipo de geração de energia.

Outra vantagem que os parques eólicos offshore têm em relação ao modelo onshore é os aerogeradores serem maiores, visto que não existe tanta limitação de tamanho das peças levadas por navio como acontece, quando falamos em transporte rodoviário.

Ou seja, pelos aerogeradores maiores, os parques eólicos offshore estão se tornando produtivos e bastante interessantes em matéria de capacidade de produção energética.

O parque eólico offshore chamado Complexo Eólico Caucaia está previsto para ser inaugurado em 2023 e será o primeiro deste tipo no Brasil. Com investidores observando os resultados de perto para que, se parque se tornando suficientemente lucrativo, surja a chance de que o Brasil desenvolva este tipo de parque eólico com ainda mais potência.

Crise do carvão na China: energia eólica como solução

A China é um excelente exemplo de usuário pesado de energia eólica e dos benefícios que esse tipo de energia pode trazer para um país. Dependente de carvão para produção de energia e sofrendo os aumentos progressivos deste recurso, isso fez com que os investimentos em matriz eólica se tornassem fundamentais para este país.

Para se ter uma ideia do tamanho do investimento que a China realizou em energia eólica, os valores já somam mais de 360 milhões de dólares, utilizados somente em energia renovável.

Isso porque, a China decidiu investir em parques eólicos, mas também em parques solares e similares.

Existe também outra questão que entra em voga. Ao investir esses valores astronômicos em energia eólica, o governo chinês não chamou empresas estrangeiras para fazer o serviço. 

Ela decidiu investir em pesquisa científica e desenvolveu suas próprias empresas e sua própria tecnologia, criando assim uma poderosa empresa chinesa, especializada em parques eólicos.

Você percebe que essa estratégia vem dando certo quando vê que a China assumiu um local de total liderança de produção, exportação e instalação de turbinas eólicas, painéis solares, baterias e veículos elétricos.

De acordo com o plano oficial da China, eles pretendem produzir cerca de 50% de sua energia de fontes não fósseis, incluindo energia nuclear e energia renovável limpa, até 2030.

Esse será mais um grande desafio para o governo chinês. Com certeza gerará respostas de seu grande adversário político-econômico, os Estados Unidos, que representam o segundo lugar no crescimento de parques eólicos no mundo.

Um dos desafios mais interessantes que o projeto elétrico chinês enfrentou foi o fato de que praticamente todos os grandes parques eólicos chineses estão distantes das áreas de maior concentração urbana e industrial do país.

Isso levou ao desenvolvimento da maior linha de transmissão de energia no mundo.

Que tipos de profissionais são necessários para manter uma usina eólica funcionando?

A manutenção de um parque eólico é um desafio e tanto. As empresas que gerenciam estas grandes usinas acabam precisando de grandes equipes e ainda precisam contratar empresas terceirizadas para continuar gerando eletricidade com qualidade. Percebe-se então que há uma cadeia de trabalho envolvida no processo.

Aerogeradores, mesmo controlados por supercomputadores, sempre exigem operadores atentos, para que o desempenho dos aerogeradores seja mantido.

Os centros de comando monitoram todos os aerogeradores de um determinado parque eólico, e fazem com que ele se torne mais eficiente.

Além dos operadores, existe toda uma equipe de manutenção e de especialistas elétricos responsáveis para que não saia nada de errado 

Além disso, os sistemas de manutenção e observação dos aerogeradores também precisam ser mantidos, portanto não é raro que os parques eólicos tenham uma empresa terceirizada especializada em software, disponível 24 horas, ou ter o seu próprio departamento.

Outra especialidade indispensável para a boa manutenção do parque eólico é a advocacia direcionada, responsável para que todas as leis e regras sejam seguidas.

Fora isso, temos especialistas como: engenheiros de som, biólogos, geógrafos e outros especialistas em impactos ambientais, sempre prontos a verificar qualquer tipo de transtorno que o parque eólico cause.

Você pode notar que diretamente um parque eólico já gera uma quantidade considerável de empregos. Mas é importante pensar também que,  geradores e peças de manutenção precisam ser construídas, novos aerogeradores precisam ser instalados, toda a parte de marketing e comunicação da empresa de eletricidade precisa ser feita.

 Além de ser necessário ter pessoal atento também aos leilões de energia e futuras formas de vender a energia gerada. Nota-se então numerosas outras oportunidades de trabalho e de negócios, todas geradas de forma ecológica e economicamente lucrativas. 

Os parques eólicos se tornarão a principal fonte de energia do mundo? 

Isto é difícil de prever, mas é difícil que sejam considerados uma das principais possibilidades de matriz energética principal. 

Acontece que, como ocorre com as hidrelétricas, existe a dependência de aspectos naturais que não são controláveis pelas pessoas, como a incidência de nuvens ou a velocidade dos ventos.

Apesar de todas as dificuldades e desafios, muitos países que não possuem o potencial hídrico do Brasil acabam apostando em outras matrizes energéticas que, apesar de renováveis, não são consideradas tão limpas assim.

Temos o caso claro das termelétricas de biomassa, detritos que, apesar de não serem tão poluentes quanto as termelétricas que utilizam combustíveis fósseis, não podem ser consideradas limpas.

Outra matriz energética que não é tão citada assim é a energia nuclear. Como os problemas causados por acidentes se estendem por centenas de anos, a energia nuclear acaba ainda sendo vista como uma aposta um tanto quanto perigosa para os países.

O que podemos esperar é que a eficiência energética seja cada vez mais desenvolvida, tanto em termos de captação quanto de uso, e que as matrizes energéticas renováveis e limpas, como os parques eólicos, cresçam a ponto de se tornarem as únicas necessárias para manter toda a matriz energética Mundial.